FPA contabiliza 200 integrantes reeleitos ou eleitos para o Congresso Nacional
FPA informou ter 299 integrantes, dos quais 176 foram reeleitos, o equivalente a 34,3% das 513 cadeiras. Dos 14 senadores reeleitos no país, seis integram a frente.
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Na renovação de dois terços do Senado, decidida nas eleições de 4 de outubro de 2026, integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) obtiveram 42,6% das cadeiras em disputa. A divisão entre reeleitos e deputados eleitos senadores consta de nota divulgada pela frente em 5 de outubro e confere com o cruzamento entre os eleitos anunciados pela Agência Senado e a relação de membros publicada pela FPA.
Na mesma nota, a FPA contabilizou 200 integrantes eleitos ou reeleitos para o Congresso Nacional. É a base com que a frente chega à 58.ª Legislatura, quando precisará de novo registro na Câmara dos Deputados, conforme o entendimento aplicado pela Mesa Diretora na última troca de legislatura.
Seis reeleitos e 17 vindos da Câmara
Dos 14 senadores reeleitos no país, seis integram a frente: Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Portinho (PL-RJ), Eduardo Gomes (PL-TO), Marcio Bittar (PL-AC), Plínio Valério (PSDB-AM) e Rogério Carvalho (PT-SE). A nota da FPA informou apenas o número; os nomes resultam do confronto entre a lista da Agência Senado e os 48 senadores da relação da frente.
Os 17 deputados eleitos senadores foram listados pela FPA e constam do quadro de eleitos da Agência Senado. Dez são do PL: Bia Kicis (DF), Carlos Jordy (RJ), Carol de Toni (SC), Domingos Sávio (MG), Fernando Máximo (RO), Filipe Barros (PR), Gustavo Gayer (GO), Nicoletti (RR), Ubiratan Sanderson (RS) e Zé Medeiros (MT).
Os outros sete são Arthur Lira (PP-AL), André Fufuca (PP-MA), Guilherme Derrite (PP-SP), Alexandre Guimarães (MDB-TO), Evair de Melo (Republicanos-ES), Júlio César (PSD-PI) e Marcel van Hattem (Novo-RS).
Em quatro estados, as duas vagas ficaram com integrantes da frente: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins. As outras 31 cadeiras foram para eleitos que não constam da atual relação da FPA e que poderão aderir à frente na nova legislatura.
Peso da frente no Senado em 2027
A Constituição fixa em oito anos o mandato de senador e determina que a representação de cada estado e do Distrito Federal seja renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços (art. 46, §§ 1.º e 2.º). Por isso, as 27 cadeiras preenchidas em 2022 não estavam em disputa: os mandatos vão até 31 de janeiro de 2031.
Segundo a FPA, 17 desses senadores integram a frente. Dois deixarão a Casa: Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR) venceram as eleições para os governos de Minas Gerais e do Paraná, respectivamente. Como a Constituição veda a deputados e senadores, desde a posse, a titularidade de mais de um cargo ou mandato público eletivo (art. 54, II, “d”), as cadeiras serão ocupadas pelos suplentes (art. 56, § 1.º).
Alan Rick (Republicanos-AC) e Professora Dorinha Seabra (União-TO), também integrantes da frente, disputam o segundo turno para o governo de seus estados em 25 de outubro.
Pelos números da FPA, somados os 15 que permanecem e os 23 eleitos, parlamentares que hoje integram a frente ocuparão 38 das 81 cadeiras do Senado em fevereiro de 2027, o equivalente a 46,9% da Casa. A conta cai para 36 cadeiras (44,4%) se Alan Rick e Professora Dorinha vencerem as disputas estaduais.
Câmara: 176 reconduzidos
Na Câmara dos Deputados, a FPA informou ter 299 integrantes, dos quais 176 foram reeleitos, o equivalente a 34,3% das 513 cadeiras. A nota registrou ainda um senador da frente eleito deputado federal, sem identificá-lo. Com os seis senadores reeleitos e os 17 deputados eleitos senadores, a soma chega aos 200 eleitos contabilizados pela frente.
Levantamento da Forbes Agro chegou a 174 deputados reconduzidos. A publicação mencionou a relação nominal do site da FPA, atualizada em 27 de julho, com 292 deputados; a nota da frente considerou 299 integrantes.
Registro não atravessa a legislatura
Como registra a justificação do Ato da Mesa 69/2005, as frentes parlamentares não integram a estrutura da Câmara. O ato as define como associação suprapartidária de pelo menos um terço dos membros do Poder Legislativo Federal, destinada a promover o aprimoramento da legislação federal sobre determinado setor da sociedade (art. 2.º). Um terço dos 594 deputados e senadores corresponde a 198 parlamentares.
O requerimento de registro deve ser instruído com a ata de fundação e constituição e com o estatuto, além de indicar o nome da frente e um representante perante a Casa (art. 3.º e parágrafo único). O registro permite requerer espaço físico para reuniões, a critério da Mesa e sem contratação de pessoal ou fornecimento de passagens aéreas, e prevê a divulgação das atividades nos veículos da Câmara (arts. 4.º e 5.º).
O ato não fixa prazo de validade para o registro.
Impactos práticos
Pelos números da própria FPA, a base de partida supera o mínimo de um terço antes de qualquer nova adesão: aos 200 eleitos ou reeleitos somam-se os 15 senadores da frente que seguem em mandato, num total de 215. A conta cai para 213 se Alan Rick e Professora Dorinha vencerem o segundo turno. A recomposição, porém, não é automática: cada parlamentar precisa subscrever o novo requerimento, que exige ao menos 198 assinaturas de deputados e senadores.
O Deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que preside a FPA, indicou o endividamento rural e as dificuldades de acesso ao crédito como temas a negociar com o próximo governo. A avaliação foi feita em entrevista à CNN Agro News na segunda-feira (5), reproduzida pela Agência FPA. Segundo ele, o setor enfrenta endividamento recorde e inadimplência grave, com produtores sem condições de plantar e colher.
Lupion também defendeu dar ao Plano Safra caráter plurianual e previsibilidade orçamentária, além de melhorar as fontes de financiamento do setor, para que o plano dependa cada vez menos de governos. A renegociação de dívidas rurais é objeto da Medida Provisória 1.376/2026, em análise no Congresso.
No Senado, a contagem de parlamentares da frente para 2027 depende do segundo turno de 25 de outubro. A Justiça Eleitoral tem até 18 de dezembro de 2026 para diplomar os eleitos, conforme a Resolução 23.760/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A posse ocorre a partir de 1.º de fevereiro de 2027, nas sessões preparatórias que inauguram a 58.ª Legislatura (art. 57, § 4.º, da Constituição). Empossados, os parlamentares da nova composição poderão subscrever o requerimento de registro da FPA.