BBM e Mapfre anunciam seguro agrícola com indenização direta ao credor em operações de CPR
Produto será disponibilizado a partir de fevereiro de 2026 para operações de crédito rural, mas estrutura jurídica não foi detalhada pelas empresas.
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A Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) e a seguradora Mapfre anunciaram o desenvolvimento de modalidade de seguro agrícola voltada à cobertura de riscos climáticos sobre operações vinculadas à Cédula de Produto Rural (CPR), com mecanismo de indenização direta ao credor do produtor rural em caso de sinistro.
Segundo Cesar Henrique Bernardes Costa, diretor geral da BBM, a nova modalidade busca ampliar a previsibilidade das operações lastreadas em CPR, um dos principais instrumentos de financiamento do setor regulado pela Lei 8.929/94.
“É uma resposta concreta a uma demanda do mercado e um avanço importante para o crédito do agronegócio brasileiro.”
O produto estará disponível a partir de fevereiro de 2026, com foco no financiamento da safra 2026/27.
Características anunciadas
A principal diferenciação em relação aos seguros rurais tradicionais é a previsão de pagamento da indenização diretamente ao financiador, e não ao produtor segurado. Conforme as empresas, o mecanismo reduziria o risco financeiro das operações e fortaleceria a segurança jurídica no crédito rural.
O produto poderá contar com subvenção federal ao prêmio do seguro rural, prevista no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Em São Paulo, poderá ter apoio estadual adicional.
Contexto de mercado
O lançamento ocorre em momento de retração do seguro rural no Brasil. A área segurada vem encolhendo nos últimos anos, tendência agravada pelos cortes no orçamento do PSR, que limitaram a contratação de apólices especialmente em regiões como Sudeste, Centro-Oeste e Matopiba.
Na avaliação de Leonardo Marins, diretor territorial São Paulo da Mapfre, o crescimento do crédito privado no agronegócio trouxe escala, mas também a necessidade de tratar o risco de forma estruturada. Segundo o executivo, a CPR passou a ter papel central nessas operações e, diante da maior instabilidade climática, o risco climático não pode ficar de fora.
“A CPR passou a ter papel central nessas operações e, diante da maior instabilidade climática, não faz sentido que o risco fique de fora. Quando organizada tecnicamente, a CPR ganha previsibilidade e o mercado passa a enxergar o título com mais confiança.”
Questões jurídicas não esclarecidas
As empresas não divulgaram documentação técnica que permita compreender a estrutura jurídica do produto. Permanecem sem esclarecimento questões fundamentais para operadores do crédito rural.