Crise no campo: pedidos de recuperação judicial por produtores rurais disparam 45%

O agronegócio brasileiro enfrenta uma nova onda de dificuldades financeiras. No primeiro semestre de 2025, produtores rurais protocolaram 700 pedidos de recuper

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Crise no campo: pedidos de recuperação judicial por produtores rurais disparam 45%

O agronegócio brasileiro enfrenta uma nova onda de dificuldades financeiras. No primeiro semestre de 2025, produtores rurais protocolaram 700 pedidos de recuperação judicial, contra 320 no mesmo período de 2024. O aumento de 45% revela um quadro de endividamento cada vez mais grave, segundo dados da Serasa Experian e do setor jurídico especializado.

Em 2024, o Brasil registrou 2.273 pedidos de recuperação judicial, o maior número da última década. O campo teve crescimento ainda mais acentuado: foram 1.272 casos, contra 534 em 2023, um salto de 138%, de acordo com o levantamento da Serasa divulgado à imprensa.

Especialistas apontam que o cenário atual é resultado da combinação de juros elevados, que chegam a 25% ao ano em linhas de crédito rural, da queda nos preços das commodities e do encarecimento dos insumos. A saca de soja, por exemplo, caiu de R$ 200 em 2022 para cerca de R$ 92 em 2025, ao mesmo tempo em que fertilizantes e defensivos importados ficaram mais caros por causa da alta do dólar.

A pressão climática também pesou. Quebras de safra em importantes regiões produtoras agravaram o endividamento e reduziram a capacidade de pagamento de médios e pequenos agricultores.

A judicialização crescente preocupa o mercado financeiro. O Banco do Brasil, maior credor do agronegócio no país, tem restringido liberações de crédito e reforçado medidas de monitoramento de devedores.

Entidades de classe e parlamentares alertam que a recuperação judicial, quando usada em larga escala, pode comprometer não apenas os produtores individuais, mas todo o sistema de financiamento do setor. O risco é de retração de crédito, aumento de juros e maior dificuldade para manter a produção em um segmento que representa quase 25% do PIB brasileiro.

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