MAPA divulga desempenho dos títulos e fundos privados do agro em fevereiro de 2026
Boletim de Finanças Privadas do Agro de março de 2026, elaborado pelo MAPA, registra desaceleração nos registros de novas Cédulas de Produto Rural e queda no estoque do CDCA, ao mesmo tempo em que LCA, CRA e Fiagro sustentam trajetória de crescimento
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O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), por meio do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário (DEFIN/CGMF), divulgou em março de 2026 o Boletim de Finanças Privadas do Agro com dados apurados até fevereiro de 2026. A publicação consolida o desempenho dos cinco principais instrumentos de captação privada do agronegócio, CPR, LCA, CDCA, CRA e Fiagro, com base em informações fornecidas pelas entidades registradoras B3, CERC e CRDC, além da CVM, Anbima e Banco Central do Brasil.
O conjunto dos títulos acompanhados pelo boletim ultrapassou R$ 1,3 trilhão em estoque bruto no período, embora o relatório ressalve expressamente que a soma não representa o total do financiamento privado do setor, dado que determinados instrumentos, em especial a CPR, podem servir de lastro para os demais, o que implicaria dupla contagem.
Cédula de Produto Rural: estoque cresce, mas registros da safra recuam
O estoque de Cédulas de Produto Rural atingiu R$ 561,35 bilhões em fevereiro de 2026, com 402 mil cédulas registradas, crescimento de 16% e 13%, respectivamente, na comparação com fevereiro de 2025. Em perspectiva mais longa, o estoque acumula expansão de 79% desde fevereiro de 2024 e de 336% desde fevereiro de 2022, o que reflete a consolidação da CPR como principal instrumento de financiamento privado das cadeias produtivas rurais.
O dado que merece atenção mais cuidadosa, contudo, está nos registros acumulados da safra corrente. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, foram emitidas CPRs no valor de R$ 248,42 bilhões, volume 8% inferior ao registrado na safra 2024/25, quando o mesmo período acumulou R$ 268,82 bilhões. A comparação com a safra 2023/24 ainda é positiva (alta de 55%), mas a desaceleração em relação ao ciclo imediatamente anterior configura sinal de alerta para credores e tomadores que utilizam a cédula como instrumento de pré-financiamento da produção.
O tíquete médio das CPRs permaneceu praticamente estável, com leve alta de 2,8% em doze meses, chegando a R$ 1,40 milhão por cédula em fevereiro de 2026.
Letra de Crédito do Agronegócio: estoque supera R$ 588 bilhões
As Letras de Crédito do Agronegócio encerraram fevereiro de 2026 com estoque de R$ 588,21 bilhões, crescimento de 9% em doze meses e de 23% em relação a fevereiro de 2024. O instrumento mantém trajetória consistente de expansão desde 2020 e segue sendo o principal mecanismo de captação de recursos direcionados ao crédito rural pelas instituições financeiras.
Nos termos do Manual de Crédito Rural do Banco Central do Brasil (MCR/BCB), na safra 2025/26, as instituições emissoras de LCA são obrigadas a manter aplicado em operações de financiamento rural valor equivalente a pelo menos 60% das captações realizadas, percentual superior ao de 50% vigente nas safras anteriores. Com o estoque atual, o valor mínimo a ser obrigatoriamente reaplicado no financiamento rural chegou a R$ 352,93 bilhões em fevereiro, alta de 31% em doze meses. Desse total, ao menos 45% devem ser destinados especificamente ao crédito rural.
A distribuição das contratações de crédito rural com fonte LCA na safra 2025/26 (julho de 2025 a fevereiro de 2026) está dividida entre bancos públicos (38%), bancos privados (33,5%) e cooperativas de crédito (27,5%), com participação residual de demais instituições (1%).
CRA avança 15%; CDCA recua 8%
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) apresentaram desempenho robusto, com estoque de R$ 176,94 bilhões em fevereiro de 2026, crescimento de 15% em doze meses e de 32% em relação a fevereiro de 2024. O instrumento, emitido por companhias securitizadoras com lastro em direitos creditórios do agronegócio, mantém trajetória de expansão contínua desde 2020 e consolida posição relevante no mercado de capitais voltado ao setor.
Em sentido oposto, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) registraram retração de 8% no estoque em doze meses, chegando a R$ 32,26 bilhões em fevereiro de 2026. O próprio boletim atribui a queda ao crescimento atípico e momentâneo verificado em agosto de 2024, que elevou artificialmente a base de comparação e vem sendo revertido gradualmente. Em perspectiva bienal (fevereiro de 2024 a fevereiro de 2026), o estoque de CDCA ainda registra estabilidade, com variação positiva de apenas 1%.
Fiagro: 220 fundos em operação e patrimônio de R$ 48 bilhões
Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) encerraram janeiro de 2026 com patrimônio líquido de R$ 48,35 bilhões e 220 fundos em operação. O número de fundos representa expansão de 61% em doze meses (eram 137 em janeiro de 2025) e de 122% em relação a janeiro de 2024, quando operavam 99 fundos. O crescimento do patrimônio foi mais moderado, de 10% em doze meses, refletindo maturação dos fundos existentes mais do que ampliação proporcional de novos ativos sob gestão.
O boletim registra que a atualização dos dados dos Fiagro, interrompida em março de 2025 em razão do período de adaptação da classe de fundos à entrada em vigor do Anexo VI da Resolução CVM 175, foi retomada em dezembro de 2025. A adequação ao novo marco regulatório da CVM, que unificou as regras aplicáveis aos fundos de investimento, alterou procedimentos de escrituração e reporte, demandando período de transição das gestoras e administradoras credenciadas.