Orplana pede horas extras flexíveis e defende automação diante de possível escala 5X2 no setor sucroenergético

Entidade que representa cerca de 12,5 mil fornecedores de cana também aponta rentabilidade negativa de R$ 3 mil por hectare e pede mais recursos para a subvenção ao seguro rural

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Orplana pede horas extras flexíveis e defende automação diante de possível escala 5X2 no setor sucroenergético

A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) defende que a regulamentação de uma possível nova escala de trabalho, com dois dias de descanso por semana (5X2), leve em conta as particularidades do calendário agrícola.

A entidade reúne 35 associações e representa aproximadamente 12,5 mil produtores de cana-de-açúcar. As posições descritas abaixo são da própria entidade, divulgadas em reportagem da CNN Brasil de 6 de novembro de 2026.

Jornada e horas extras na safra

A Orplana sustenta que, nos períodos de safra, a necessidade de trabalhadores é maior e exige regras que acomodem a sazonalidade. Um dos pleitos é permitir maior flexibilidade na realização de horas extras, para atender às demandas do campo e das unidades industriais.

Segundo a entidade, a escassez de mão de obra já é realidade em diferentes cadeias do agronegócio e pode se agravar com mudanças nas regras de jornada. A reportagem não informa o estágio da mudança de escala nem o ato ou a proposição que a veicularia, o que impede indicar a espécie normativa, o órgão responsável ou eventual vigência.

Automação como alternativa

A Orplana aponta a automação e a robotização como caminhos para ganhar eficiência e melhorar as condições de trabalho. A proposta é transferir as atividades mais desgastantes do campo para equipamentos autônomos, mantendo os trabalhadores em funções de monitoramento e controle.

A entidade cita tratores com operação autônoma para aragem, gradagem e colheita, além de robôs para aplicação de herbicidas. Um dos equipamentos usa câmeras e painéis solares para realizar aplicações direcionadas contra plantas daninhas, pode custar até R$ 350 mil e atende áreas superiores a 100 hectares. O custo de aquisição e as condições de financiamento ainda limitam a difusão dessas soluções no Brasil, segundo a organização.

Imposto Seletivo e demanda por açúcar

A Orplana também acompanha a tributação das bebidas açucaradas pelo Imposto Seletivo. Embora o açúcar tenha sido incluído na cesta básica nacional, as bebidas que o utilizam como matéria-prima poderão sofrer tributação adicional, e a indústria pode responder com a redução do açúcar nas formulações.

O diretor da Orplana José Guilherme Nogueira afirmou que "qualquer redução na demanda impacta o setor". Ele acrescentou que as exportações seguem em alta e que mercados da África e da Ásia ampliam o consumo de açúcar, o que pode compensar parte da retração no Brasil e em compradores como Europa e Estados Unidos.

Rentabilidade e seguro rural

Segundo a Orplana, a rentabilidade da produção de cana está negativa em aproximadamente R$ 3 mil por hectare na safra atual. A entidade atribui o resultado ao aumento dos gastos com fertilizantes, lubrificantes, diesel e transporte. O encarecimento do frete também elevou o custo de entrega de insumos como calcário e gesso, sem alterações equivalentes nos preços desses produtos.

A organização defende o fortalecimento do seguro rural e considera insuficiente o orçamento de aproximadamente R$ 1 bilhão para a subvenção. Nogueira calcula que seriam necessários mais de R$ 3 bilhões para uma cobertura mais abrangente.

Alcance das informações

Os dados sobre rentabilidade, custo dos equipamentos e orçamento do seguro foram apresentados pela Orplana e não passaram por confirmação em documentos primários. A reportagem não identifica os atos normativos sobre jornada e tributação, o que impede delimitar seus efeitos jurídicos sobre contratos de trabalho e obrigações dos fornecedores de cana.

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