A inadimplência no agronegócio atinge 8,1% no 2º trimestre de 2025

Levantamento da Serasa Experian revela deterioração contínua da capacidade de pagamento de 10,5 milhões de produtores rurais, com arrendatários e grandes propri

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A inadimplência no agronegócio atinge 8,1% no 2º trimestre de 2025

A inadimplência entre produtores rurais brasileiros alcançou 8,1% no segundo trimestre de 2025, segundo dados inéditos da Serasa Experian divulgados nesta quarta-feira (12/11).

O índice representa alta de 0,3 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2025 e crescimento de 1,1 ponto percentual frente ao mesmo período de 2024, consolidando tendência de deterioração contínua da capacidade de pagamento no setor. O levantamento considera universo de 10,5 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural.

A inadimplência no agronegócio atinge 8,1% no 2º trimestre de 2025

Fatores estruturais do endividamento rural

Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, destacou que "os indicadores apontam uma piora lenta, porém contínua, na capacidade da população rural de manter-se adimplente. O agronegócio enfrenta desafios de fluxo de caixa e endividamento acumulados nos últimos três a quatro anos, exigindo atenção e reestruturação".

Segundo o executivo, fatores como custo de produção elevado, variação nos preços das commodities e crédito mais caro explicam o cenário, reforçando a importância da gestão de risco apoiada por dados e inteligência analítica.

A análise do AgroScore, ferramenta preditiva da Serasa Experian, mostra variação na média de pontuação dos produtores rurais de 644 para 605 pontos entre o segundo trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025. A redução de 39 pontos, observada em todas as faixas de produtores, reflete cenário mais cauteloso no campo e indica maior risco de inadimplência futura.

Perfil dos inadimplentes por porte e distribuição geográfica

Na segmentação por porte, produtores sem registro de cadastro rural – categoria que inclui arrendatários e participantes de grupos econômicos ou familiares – representam a maior fatia de inadimplentes, com 10,5%. Grandes proprietários ocupam a segunda posição, com 9,2% do total.

Pimenta explica que "produtores que precisam arrendar terras costumam lidar com margens mais apertadas pelo custo extra. E, sobre os grandes produtores, o maior apetite ao risco pode gerar desequilíbrio".

Médios proprietários têm participação de 7,8% e pequenos produtores, de 7,6%. Na análise regional, o Rio Grande do Sul registrou a menor inadimplência do país, com 4,9%, seguido por Santa Catarina e Paraná. No extremo oposto, o Amapá apresentou a maior taxa, de 19,5%. Os Estados do Sul mantêm índices reduzidos mesmo enfrentando problemas climáticos nos últimos anos.

Inadimplência por setor credor

O levantamento discriminou a inadimplência por categoria de credor. As instituições financeiras – que incluem bancos, fundos de investimentos e cooperativas de crédito – concentram a maior representatividade, com 7,2% de inadimplência. Por outro lado, o setor agro – que abrange agroindústrias de transformação, comércio atacadista agro, serviços de apoio ao agro, produção e revendas de insumos e máquinas agrícolas – apresenta taxa de apenas 0,3%. Outros setores relacionados, como seguradoras não-vida, transportes e armazenamentos, registram 0,1%.

Pimenta ressalta que "nesse sentido a cadeia agro tem um cenário positivo sobre a inadimplência. É importante reforçar esse recorte, pois se no geral 8,1% dos produtores estão inadimplentes, nessa visão, o percentual é muito menor". A baixa inadimplência nas concessões diretas do setor agro indica que fornecedores de insumos, máquinas e serviços mantêm controles mais rigorosos de crédito ou adotam mecanismos de garantia mais eficazes.

Metodologia e critérios de mapeamento

A metodologia da Serasa Experian considera dívidas vencidas com mais de 180 dias e até cinco anos, somando pelo menos R$ 1.000, relacionadas ao financiamento e atividades do agronegócio. O mapeamento da população rural resultou de três fontes: registros de propriedades rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou no Cadastro Federal de Imóveis Rurais (CAFIR), financiamentos rurais ou agroindustriais no Cadastro Positivo no último ano, ou registro de atividade de produtor rural no Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (SINTEGRA).

Na última atualização metodológica, passou-se a utilizar pessoas físicas do CAR apenas com relação à classificação de Imóvel Rural, pois financiamentos rurais para produtores com este tipo de propriedade seguem normas padronizadas do crédito rural, com foco na viabilidade econômica e regularidade ambiental. Deixou-se de contabilizar pessoas listadas apenas em imóveis classificados como Assentamentos ou Povos e Comunidades Tradicionais, que possuem regulamentações específicas considerando direitos coletivos, aspectos culturais e socioambientais.

A quinta edição do Boletim Agro da Serasa Experian, prevista para dezembro de 2025, detalhará o cenário econômico-financeiro do agronegócio brasileiro com categorias específicas para consumo de crédito rural, AgroScore, inadimplência e recuperação judicial, segmentadas por porte, linha de crédito, tempo de dívida, regiões agrícolas e Estados.

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