Nos primeiros cinco meses do Plano Safra 2025/26, montante recuou 16% em Minas Gerais

Norma sobre provisionamento de perdas dificulta acesso ao financiamento agrícola em Minas Gerais, onde contratações somaram R$ 24,3 bilhões entre julho e novemb

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Nos primeiros cinco meses do Plano Safra 2025/26, montante recuou 16% em Minas Gerais

A retração no acesso ao crédito rural oficial alcançou patamares preocupantes em Minas Gerais nos primeiros cinco meses do Plano Safra 2025/26. Os desembolsos recuaram 16%, atingindo R$ 24,3 bilhões entre julho e novembro de 2025, enquanto em âmbito nacional as contratações somaram R$ 159,6 bilhões, queda de 31% em relação ao exercício anterior. A inadimplência do crédito rural atingiu 11,4%, maior índice da série histórica iniciada em 2011, segundo dados do Banco Central.

A Resolução CMN 4.966, em vigor desde janeiro de 2025, alterou os critérios de provisionamento de perdas das carteiras de crédito das instituições financeiras, impactando diretamente a capacidade dos produtores rurais de acessar financiamento e renegociar dívidas. A norma estabelece exigências mais rígidas para classificação de risco e constituição de provisões, pressionando os bancos a adotar postura mais restritiva na concessão de crédito e na exigência de garantias adicionais.

Conforme a assessora técnica do Sistema Faemg Senar, Aline Veloso, a combinação entre aumento das taxas de juros e indisponibilidade de recursos tem desestimulado a busca pelo crédito rural oficial. A saúde financeira debilitada do setor, agravada por condições climáticas desfavoráveis e oscilações nos preços das commodities nas últimas safras, intensificou as dificuldades de acesso ao crédito.

Os dados demonstram que, apesar do aumento de 2% no número de contratos em Minas Gerais, de 122.429 em 2024 para 125.238 em 2025, o valor médio por operação recuou significativamente. Na atividade agrícola, os desembolsos diminuíram 17%, saindo de R$ 19,79 bilhões para R$ 16,50 bilhões. Na pecuária, a redução foi de 15%, com valores somando R$ 7,53 bilhões.

A linha de custeio, tradicionalmente a mais demandada, registrou queda de 12% em Minas Gerais, com liberação de R$ 15,02 bilhões ante R$ 17,12 bilhões em igual período de 2024. No custeio agrícola, a redução foi de 13%, enquanto na pecuária alcançou 12%. Em novembro de 2025, o café representou 61% do valor de custeio para lavouras no estado, com R$ 735,42 milhões contratados, seguido por alho (R$ 81,60 milhões), soja (R$ 80,50 milhões) e milho (R$ 72,67 milhões). Na pecuária, bovinos concentraram R$ 656 milhões em desembolsos.

A restrição creditícia foi ainda mais acentuada nas linhas de investimento, com queda de 31% nos recursos liberados, totalizando R$ 4,38 bilhões. A comercialização também sofreu retração de 18%, atingindo R$ 3,15 bilhões. A única linha que apresentou crescimento foi a de industrialização, com aumento de 13%, passando de R$ 1,31 bilhão para R$ 1,48 bilhão.

Diante das barreiras no acesso ao crédito oficial, produtores rurais têm recorrido a alternativas como consórcios para aquisição de máquinas e equipamentos, utilização de capital próprio, crédito privado e operações de barter. A migração para instrumentos privados de financiamento reflete a dificuldade estrutural de adequação do sistema de crédito rural oficial às necessidades do setor produtivo em contexto de inadimplência elevada e critérios rígidos de provisionamento.

A Faemg Senar defendeu atenção especial do governo ao setor produtivo, com adequação das taxas de juros, disponibilidade efetiva do crédito e ampliação do orçamento para o seguro rural, especialmente diante das adversidades climáticas que têm impactado a capacidade de pagamento dos produtores.

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