CNA destaca riscos financeiros e defende agilidade na tramitação da Lei do Agro 3

Proposta de modernização do crédito rural, sob análise da FPA, será dividida em eixos temáticos para acelerar votação no Congresso

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CNA destaca riscos financeiros e defende agilidade na tramitação da Lei do Agro 3

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) enfatizou, em 18 de junho de 2026, a necessidade de avançar na modernização do crédito rural durante reunião da Câmara Temática de Modernização do Crédito e Instrumentos de Gestão de Risco do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), realizada em Brasília. O encontro teve como foco a tramitação da chamada Lei do Agro 3, proposta que busca ampliar a segurança financeira e a competitividade do setor.

De acordo com Guilherme Rios, Presidente da Câmara Temática e assessor técnico da CNA, o texto da Lei do Agro 3 já foi encaminhado à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e será estruturado em eixos temáticos para facilitar a análise e garantir maior celeridade na votação pelo Congresso Nacional. A estratégia visa superar entraves legislativos e responder rapidamente às demandas do campo.

Rios ressaltou que a agenda de modernização do crédito rural envolve a integração de inteligência de dados, novos instrumentos financeiros e avanços legislativos, com o objetivo de ampliar a segurança, liquidez e capacidade de investimento dos produtores rurais. A iniciativa é considerada prioritária diante do cenário de volatilidade econômica e aumento do risco de inadimplência no setor.

Desafios jurídicos:

Durante a reunião, Frederico Poletto, representante da Serasa Experian, apresentou dados atualizados sobre o endividamento rural e o crescimento das recuperações judiciais entre produtores. O panorama evidenciou a necessidade de instrumentos mais robustos de financiamento e gestão de risco, especialmente para pequenos e médios produtores, que enfrentam maior vulnerabilidade diante das oscilações do mercado.

O debate também abordou o papel do Fiagro de Terras como alternativa para ampliar as fontes de financiamento agrícola. Rogério Boueri, Diretor-Executivo da Associação Brasileira de Fiagros (ABFiagro), explicou que o modelo permite a captação de recursos privados para capital de giro, reduzindo a dependência de linhas oficiais e ampliando a liquidez no setor.

Carlos Mario Guedes, Coordenador-Geral de Articulação da Diretoria de Cadastro Ambiental Rural do Ministério da Gestão e Inovação (Dicar/MGI), apresentou as recentes melhorias na plataforma Meu Imóvel Rural. A ferramenta aprimora o acesso a dados ambientais e produtivos das propriedades, facilitando a análise de risco e a concessão de crédito pelas instituições financeiras.

A tramitação acelerada da Lei do Agro 3, articulada pela FPA, tende a impactar diretamente o acesso ao crédito rural, oferecendo maior previsibilidade e segurança jurídica aos produtores. A adoção de instrumentos como o Fiagro de Terras e a integração de plataformas digitais podem contribuir para a redução do custo do crédito e a ampliação das garantias, especialmente em um cenário de endividamento crescente e restrição de liquidez.

O texto da Lei do Agro 3 permanece em análise pela Frente Parlamentar da Agropecuária, aguardando definição dos próximos passos para votação em plenário.

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