Presidente do TST explica fala sobre juízes “vermelhos e azuis”

Presidente do TST, Ministro Luiz Phillipe Vieira de Mello Filho, abriu a sessão plenária desta segunda-feira, 4 de maio de 2026, para responder publicamente ao Vice-Presidente, Ministro Ives Gandra Filho, após fala que classificou juízes trabalhistas como "vermelhos e azuis" viralizar nas redes sociais

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Presidente do TST explica fala sobre juízes “vermelhos e azuis”

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) foi palco, na sessão plenária desta segunda-feira, 4 de maio de 2026, de um confronto institucional incomum: o Ministro Luiz Phillipe Vieira de Mello Filho, Presidente da Corte, usou a abertura da sessão para se explicar publicamente sobre declaração própria que viralizou nas redes sociais, atribuindo ao Vice-Presidente, Ministro Ives Gandra Filho, a origem da polêmica.

A declaração em questão foi proferida pelo Ministro Mello Filho em sessão anterior, na última sexta-feira: "Eu diria que não tem azul ou vermelho. Tem quem tem interesse, tem quem tem causa. Nós vermelhos temos causa, não temos interesse." A fala repercutiu amplamente e gerou reações dentro e fora do Tribunal.

A Versão do Presidente

Ao tomar a palavra nesta segunda-feira, o Ministro Mello Filho sustentou que sua declaração foi uma resposta direta ao Ministro Ives Gandra Filho, que teria cunhado a expressão "azuis e vermelhos" durante palestra realizada em evento organizado por outro membro do Tribunal, descrito como um curso que ensinava advogados a litigar na instituição.

O Presidente afirmou possuir documentação que comprova a origem da expressão. Segundo ele, a classificação surgiu naquele evento para descrever ministros de perfil "liberal e legalista" (azuis) em oposição a ministros de perfil "intervencionista e ativista" (vermelhos).

"Ninguém tem o direito de me acusar de ser ativista ou não ser. Eu tenho a prova documentada de onde começou isso e eu tenho certeza que o Ministro Ives (Gandra), na sua dignidade, não vai dizer que não começou neste evento, primeiro encontro, de como atuar no Tribunal Superior do Trabalho." Ministro Luiz Phillipe Vieira de Mello Filho, Presidente do TST, 4 de maio de 2026.

A Posição do Vice-Presidente

O Ministro Ives Gandra Filho, por sua vez, havia reiterado sua avaliação sobre a composição ideológica do Tribunal: "Há divisão interna no Tribunal. Há ministros que têm uma visão mais liberal e há ministros que têm uma visão mais intervencionista." A declaração foi confirmada ao Estadão, embora o Ministro não tenha respondido ao pedido de comentário sobre as acusações específicas formuladas pelo Presidente na sessão desta segunda-feira.

O Contexto Institucional

O episódio evidencia uma divisão de posicionamento que já era reconhecida informalmente nos bastidores do TST, mas que raramente alcança o nível de confronto público em plenário. A dicotomia entre magistrados de orientação liberal-legalista e magistrados de orientação intervencionista-ativista no âmbito da Justiça do Trabalho tem reflexos diretos na jurisprudência trabalhista, especialmente em temas de relevo para o agronegócio: terceirização na cadeia produtiva rural, responsabilidade subsidiária de produtores rurais contratantes, caracterização de vínculo empregatício com trabalhadores rurais sazonais e aplicação de normas coletivas do setor.

A publicização do conflito coloca em debate, no plano institucional, os limites entre a independência funcional dos magistrados, garantia constitucional prevista no art. 95 da Constituição Federal e os deveres de urbanidade e respeito mútuo que regem as relações entre membros de um mesmo Tribunal, nos termos do Código de Ética da Magistratura Nacional (Resolução CNJ nº 60/2008).

O Ministro Ives Gandra Filho encerra seu mandato como Vice-Presidente do TST em outubro de 2026, quando também se aposenta compulsoriamente ao completar 75 anos. Não há registro, até o momento da publicação desta matéria, de qualquer providência administrativa instaurada em razão do episódio.

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