Ex-servidor da Agrodefesa é suspeito de envolvimento em fraude de R$ 100 mil em movimentações fictícias de bovinos em Goiás

Operação Rastreio Falso resultou em prisões e apreensões após auditoria interna detectar irregularidades no sistema estadual de defesa agropecuária

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Ex-servidor da Agrodefesa é suspeito de envolvimento em fraude de R$ 100 mil em movimentações fictícias de bovinos em Goiás

A Polícia Civil de Goiás deflagrou na terça-feira, 14 de outubro de 2025, a Operação Rastreio Falso, que resultou na prisão de um ex-servidor da Agência Goiana de Defesa Agropecuária acusado de fraude envolvendo movimentações fictícias de bovinos. O prejuízo apurado alcança R$ 100 mil, em esquema que teria sido executado em menos de um mês no município de Luziânia.

A operação, conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Rurais, cumpriu mandados de prisão temporária, busca e apreensão, bloqueio de ativos financeiros e sequestro de bens. Além do ex-servidor, outras pessoas foram presas, incluindo um corretor de gado já investigado por envolvimento em emissões fraudulentas de Guias de Trânsito Animal.

Contexto da investigação e papel da Agrodefesa

As investigações tiveram início a partir de auditoria interna realizada pela própria Agrodefesa, que identificou indícios de irregularidades na utilização de senhas de acesso ao Sistema de Defesa Agropecuária do Estado de Goiás. A agência estadual acionou a Polícia Civil após detectar possíveis fraudes relacionadas ao cadastro de animais e vacinas no sistema informatizado.

Segundo informações divulgadas pela Agrodefesa, o investigado era servidor público municipal de Luziânia que havia sido cedido à agência estadual. A exoneração do funcionário ocorreu antes mesmo do início formal das investigações policiais. Durante a operação, a Agrodefesa forneceu relatórios de auditoria e fiscalização, além de apoio técnico às autoridades.

Modus operandi e esquema fraudulento

De acordo com as investigações, o ex-servidor foi identificado como responsável por efetuar pagamentos de vacinas utilizados em atestados falsos. A manipulação consistiu na inserção de informações fraudulentas no sistema estadual com o objetivo de acobertar movimentações fictícias de bovinos, viabilizando o desvio de recursos.

A fraude na movimentação financeira foi executada em período inferior a um mês, evidenciando a agilidade com que o esquema operava. O corretor de gado envolvido já havia sido alvo de operação policial deflagrada em julho de 2025, denominada Operação Paper Ox II, relacionada a emissões fraudulentas de Guias de Trânsito Animal e notas fiscais inidôneas.

Aspectos jurídicos e impactos no setor

A conduta investigada caracteriza crimes de peculato, falsidade ideológica e fraude, com potencial enquadramento em legislação específica de defesa agropecuária. A manipulação de documentos sanitários e guias de trânsito compromete não apenas a arrecadação tributária, mas também a rastreabilidade do rebanho e os sistemas de controle sanitário do Estado.

A Operação Rastreio Falso representa a terceira ação conjunta entre a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Rurais e a Agrodefesa voltada ao combate de fraudes dessa natureza. Em abril de 2024, foi realizada a Operação Paper Ox, seguida pela Operação Paper Ox II em julho de 2025, demonstrando a persistência de esquemas fraudulentos no setor pecuário goiano.

Manifestação oficial e medidas de segurança

Em nota oficial, a Agrodefesa esclareceu que não houve invasão ou violação ao sistema de segurança do Sidago. A agência ressaltou que o sistema permanece seguro e é auditado continuamente para prevenir e coibir fraudes. A entidade reiterou que produtores rurais jamais devem compartilhar suas senhas de acesso ao sistema, instrumento fundamental para a segurança das informações relacionadas à atividade pecuária.

A direção da Agrodefesa manifestou confiança na apuração completa dos fatos e na punição dos responsáveis, caso as irregularidades sejam comprovadas. A agência informou que segue acompanhando e colaborando com o trabalho de investigação da Polícia Civil de Goiás.

Outras diligências foram realizadas durante a operação, mas não foram divulgadas pelas autoridades para preservar o andamento das investigações. O inquérito policial prossegue para identificar eventual participação de outros envolvidos no esquema fraudulento.

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