Banco do Brasil registra forte queda na Bolsa com alta da inadimplência no agronegócio
Inadimplência rural cresce e pressiona resultados do Banco do Brasil O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta um momento de instabilidade no mercado, em razão do aume
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Inadimplência rural cresce e pressiona resultados do Banco do Brasil
O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta um momento de instabilidade no mercado, em razão do aumento significativo da inadimplência no crédito rural, segmento em que detém quase metade da participação nacional. O movimento repercute diretamente no balanço da instituição e acende discussões jurídicas sobre contratos e garantias no financiamento agrícola.
A presidente do Banco do Brasil (BBAS3), Tarciana Medeiros, afirmou que nunca houve inadimplência no agro na proporção atual na história longeva do banco com o setor.
“É importante que vocês tenham conhecimento da proporção dessa inadimplência e que vocês tenham tranquilidade que essa provisão já está presente no nosso balanço”.
Fatores que impulsionam o cenário
O avanço dos atrasos decorre de fatores econômicos e climáticos:
- Safras comprometidas, custos elevados e preços em queda nos últimos ciclos agrícolas, que ampliaram o endividamento rural.
- Elevação das taxas de juros e dificuldades de renegociação de dívidas, especialmente para pequenos produtores.
- Crescimento das recuperações judiciais (RJ) no setor, em alta de 21,5% no primeiro trimestre de 2025, segundo dados da Serasa.
Esse cenário tem gerado debates sobre o uso da recuperação judicial como instrumento de reestruturação, mas também sobre o risco moral para credores.
Impacto das novas regras contábeis
A partir de 2025, as instituições financeiras passaram a seguir a Resolução CMN nº 4.966, que adota provisões com base no modelo de perda esperada. Isso elevou a necessidade de reservas para créditos em atraso, chegando a 30% para atrasos acima de 30 dias e 70% para mais de 90 dias.
As ações do Banco do Brasil registraram recuo superior a 30% no ano, passando de cerca de R$ 29 para R$ 19, refletindo a preocupação dos investidores com a exposição ao agronegócio e com o aumento das provisões.
Além disso, a Presidente também comentou sobre necessidade de ajustes na resolução nº 4.966. “A 4,966 me traz a necessidade de provisão por perda esperada”.
Implicações jurídicas para o agronegócio
A crise reforça a importância de atenção aos instrumentos contratuais, garantias reais e mecanismos de recuperação de crédito no financiamento rural. Para credores, o cenário exige estratégias jurídicas mais robustas, enquanto produtores precisam avaliar alternativas de renegociação para evitar judicialização.