Farsul aponta queda no crédito rural e cobra ampliação da MP 1.376/2026
Nota técnica indica carteira problemática de R$ 207,47 bilhões, 23,46% do saldo; entidade defende prorrogar a janela de renegociação e incluir operações lastreadas em CPR
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A Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou, em 5 de novembro de 2026, nota técnica sobre o crédito rural no país.
O documento registra contratações de R$ 327,72 bilhões nos 12 meses até setembro de 2026, queda de 10,81% sobre o período anterior e de 22,41% frente ao pico de abril de 2024. A carteira problemática alcançou R$ 207,47 bilhões em julho de 2026. A federação defende prorrogar e ampliar a renegociação prevista na Medida Provisória 1.376/2026.
Contratações em queda
O trimestre de julho a setembro, que abre a safra e concentra o custeio de soja e milho, somou R$ 87,79 bilhões em 2026. O valor é 22,65% inferior ao de 2025 e 46,55% inferior ao de 2023, e representa a terceira queda consecutiva. Em valores nominais, está abaixo do registrado em 2021. A Farsul observa que os números não descontam a inflação, de modo que a retração real é maior.
A redução não é uniforme. Em 12 meses, o Pronaf cresceu 6,88%, para R$ 71,56 bilhões, e o Pronamp ficou estável, em R$ 55,61 bilhões. Os demais produtores contrataram R$ 200,55 bilhões, 18,18% a menos que um ano antes. Os recursos a juros livres recuaram 21,72% em 12 meses e 54,9% no trimestre de plantio. Para a Assessoria Econômica, o quadro indica racionamento de crédito, com a Selic em 13,75% ao ano.
O custeio, que responde por 52% do total contratado, puxa a queda. No trimestre de plantio, o custeio de soja passou de R$ 36,72 bilhões em 2023 para R$ 14,05 bilhões em 2026, e a área financiada caiu de 8,03 milhões para 2,95 milhões de hectares. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 49,3 milhões de hectares de soja na safra 2026/27, alta de 1,4%. A nota afirma que o número deve ser lido com cautela e que o risco maior está em produtividade menor e inadimplência maior.
Carteira problemática
A carteira de crédito rural chegou a R$ 884,21 bilhões em julho de 2026, alta de 26,6% sobre dezembro de 2023. Segundo a nota, a carteira problemática multiplicou por 5,44 no período e responde por 91,22% desse aumento. A inadimplência acima de 90 dias passou de R$ 15,65 bilhões para R$ 45,71 bilhões em um ano.
No Rio Grande do Sul, o estoque problemático é de R$ 44,89 bilhões, ou 41,17% do saldo estadual, contra 9,01% em dezembro de 2023. O estado contratou R$ 14,36 bilhões no trimestre de plantio, queda de 10,56% sobre 2025. O custeio de soja gaúcho recuou 58,37% em relação a 2023, e o de arroz, 44,3%.
Renegociação pela MP 1.376/2026
Conforme a nota, a Medida Provisória 1.376/2026 abriu janela de renegociação até 12 de novembro e originou R$ 18,60 bilhões em novas operações até 30 de outubro, com taxa média de 9,63% ao ano e prazo médio de 8,56 anos. O montante equivale a 8,99% da carteira problemática nacional. O Rio Grande do Sul recebeu R$ 7,78 bilhões, e 82,6% da dívida problemática gaúcha ficou de fora, segundo a Farsul.
Em comunicado de 30 de outubro, a federação informou que os registros do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor) apontavam, até 30 de setembro de 2026, renegociações vinculadas à medida de R$ 5,55 bilhões no país e R$ 4,58 bilhões no Rio Grande do Sul. A Farsul ressalvou que esse recorte não contempla, por exemplo, as renegociações de Cédulas de Produto Rural (CPR).
Mobilização no Congresso
No mesmo comunicado, a Farsul afirmou ter intensificado a mobilização em Brasília e informou que o prazo final de deliberação da medida provisória se encerra em 11 de novembro. A entidade defende entendimento consensual diante do relatório apresentado pelo relator e da perspectiva de voto em separado da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com texto que remova entraves de acesso, amplie o enquadramento e garanta prazo para requerimento, análise e contratação.
A federação alerta que, se a medida caducar sem alterações estruturais, cerca de 80% dos produtores poderão ficar sem a possibilidade de alongar suas obrigações financeiras.
Propostas da Farsul
A nota técnica propõe prorrogar a janela além de 12 de novembro e incluir as operações lastreadas em CPR. Propõe ainda simplificar o acesso e padronizar as condições entre os bancos, condicionar o benefício à capacidade de pagamento, recompor a oferta de custeio aos produtores do Pronamp e aos demais e dar transparência mensal à cobertura da renegociação por estado e por instituição financeira.
Os dados têm como base o Sicor e a Matriz de Dados do Crédito Rural, do Banco Central do Brasil, e estão na nova seção Crédito do Farsul Big Data.