Projeto inovador da climate tech NaturAll Carbon no Cerrado abre caminho para descarbonização do setor agropecuário brasileiro
O Brasil acaba de conquistar um marco histórico no mercado de créditos de carbono: a emissão dos primeiros créditos de carbono por agricultura regenerativa nas
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O Brasil acaba de conquistar um marco histórico no mercado de créditos de carbono: a emissão dos primeiros créditos de carbono por agricultura regenerativa nas Américas, sendo o segundo projeto deste tipo no mundo. A conquista é resultado do trabalho da NaturAll Carbon, climate tech anglo-brasileira que desenvolveu um projeto pioneiro no Cerrado brasileiro.
A certificação foi concedida pela Verra, maior referência global no mercado voluntário de créditos de carbono, validando cientificamente as práticas de sequestro de carbono no solo desenvolvidas pela empresa. Este reconhecimento representa uma nova era para o setor agropecuário nacional, que agora pode monetizar práticas sustentáveis enquanto contribui para o combate às mudanças climáticas.
Para quantificar os créditos de carbono, foi utilizada a tecnologia "DayCent", considerada a principal ferramenta científica para este tipo de medição. A metodologia empregada garante precisão e confiabilidade na contabilização do carbono sequestrado no solo através de práticas regenerativas.
A NaturAll Carbon, com sede em Londres e operações no Brasil, especializou-se em agricultura regenerativa e conservacionista. A startup anglo-brasileira validou as práticas de sequestro de carbono no solo em projeto piloto no Mato Grosso do Sul, demonstrando o potencial do modelo para expansão nacional.
Potencial econômico do Cerrado
O timing da conquista não poderia ser mais estratégico. Um estudo recente do BCG demonstrou que o Cerrado pode gerar US$ 100 bilhões ao PIB brasileiro com agricultura de baixo carbono, por meio de ações que conciliam aumento de produtividade com sustentabilidade.
Esse potencial econômico gigantesco posiciona o Brasil como líder global na transição para uma agricultura mais sustentável, capaz de alimentar o mundo enquanto regenera o meio ambiente.
As ambições da NaturAll Carbon são audaciosas. A empresa quer chegar a 150 mil hectares em três anos, expandindo significativamente sua atuação. Para acelerar este crescimento, a companhia firmou parceria estratégica com a Carbonext, visando atingir áreas de projetos de 150 mil hectares até 2027 e 500 mil hectares até 2030.
Atuando principalmente em áreas de Cerrado, transição Amazônia-Cerrado e regiões agrícolas do Pará, a empresa está posicionada para liderar a transformação sustentável da agricultura brasileira.
Parcerias com grandes players do agronegócio
O sucesso do modelo já atraiu a atenção de gigantes do agronegócio brasileiro. A Amaggi, maior empresa brasileira de grãos e fibras, firmou aliança com a NaturAll Carbon para desenvolver projeto em 25 mil hectares em Rondônia.
O projeto da Amaggi será certificado pela Verra e utiliza a metodologia VM 0042, considerada a mais científica e completa para sequestro de carbono no solo agrícola. A iniciativa visa transformar pastagens degradadas em áreas produtivas e sustentáveis.
Esta conquista posiciona o Brasil na vanguarda da agricultura sustentável global, oferecendo um modelo replicável para outros países das Américas. A agricultura regenerativa não apenas sequestra carbono, mas também melhora a qualidade do solo, aumenta a biodiversidade e pode elevar a produtividade das culturas.
Com a proximidade da COP30, que será realizada em Belém em 2025, o Brasil demonstra liderança prática em soluções climáticas baseadas na natureza. Os créditos de carbono por agricultura regenerativa representam uma ferramenta poderosa para acelerar a descarbonização do setor agropecuário, criando incentivos econômicos para práticas sustentáveis.
A emissão destes primeiros créditos marca o início de uma transformação que pode revolucionar a agricultura brasileira, tornando-a não apenas mais sustentável, but also mais lucrativa para os produtores que adotarem práticas regenerativas.