Câmara analisou projetos de inteligência artificial e irrigação para agricultura familiar

Propostas alteram a Política Nacional da Agricultura Familiar e criam linha de crédito para infraestrutura hídrica, com tramitação conclusiva nas comissões de Agricultura, Finanças e Tributação, e Constituição e Justiça

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Câmara analisou projetos de inteligência artificial e irrigação para agricultura familiar

Tramitam na Câmara dos Deputados dois projetos de lei voltados à agricultura familiar e aos pequenos e médios produtores rurais. O PL 240/2026, de autoria do deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), cria sistema de inteligência artificial para apoio à gestão nas pequenas propriedades. Já o PL 1.202/2026, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), institui política de crédito para infraestrutura hídrica.

PL 240/26: dados agroambientais e apoio à gestão

O PL 240/2026 altera a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais para instituir sistema que organize, integre, padronize e proteja dados agroambientais e produtivos. Conforme a proposta, o sistema deverá subsidiar decisões de gestão nas pequenas propriedades rurais.

Na justificativa do projeto, Gaguim argumenta que o acesso a tecnologias de inteligência artificial é economicamente inviável na agricultura familiar, o que amplia a desigualdade em relação às grandes empresas do agronegócio. Segundo o parlamentar, a ausência de apoio estatal nesse campo pode comprometer a competitividade, a sustentabilidade e a permanência desses produtores na atividade rural.

PL 1.202/26: crédito para poços, pivôs e barragens

O PL 1.202/2026 cria a Política Nacional de Incentivo à Irrigação para a Agricultura Familiar e para os Pequenos e Médios Produtores Rurais. A proposta prevê recursos para elaboração de projetos, sistemas de irrigação por pivô central e de distribuição de água, perfuração de poços artesianos e construção de reservatórios e barragens.

As linhas de crédito previstas terão juros reduzidos e prazos de pagamento ampliados, compatíveis com o ciclo da atividade agrícola. O texto também permite ao governo definir período de carência adequado ao início da geração de resultados da lavoura.

Terão prioridade no acesso aos recursos os agricultores familiares, produtores de pequeno e médio porte, cooperativas e associações de produtores, além de regiões historicamente prejudicadas por longos períodos de estiagem.

“A dependência exclusiva do regime pluviométrico expõe agricultores a riscos elevados, resultando em safras comprometidas, queda de renda, endividamento e, não raras vezes, abandono da atividade” (Pompeo de Mattos).

Impactos práticos e tramitação

Ambas as proposições seguem para análise em caráter conclusivo pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Não havendo recurso para votação no Plenário, a aprovação nas comissões pode ser suficiente para o avanço do texto na Câmara.

Para se tornarem lei, ambos os projetos ainda precisam ser aprovados pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

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