Aprosoja/MS divulgou Boletim que o crédito rural em MS soma R$ 1,1 bilhão em março de 2026
Boletim da Aprosoja/MS aponta que 79% das operações em março/2026 foram contratadas fora das linhas subsidiadas do Plano Safra, elevando a exposição do produtor sul-mato-grossense ao custo financeiro de mercado
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O volume de crédito rural concedido em Mato Grosso do Sul recuou 7% em março de 2026 frente ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 1,1 bilhão no mês, segundo o Boletim Econômico de Crédito Rural elaborado pela Aprosoja/MS com base em dados do Banco Central do Brasil. Apesar da queda anual, o montante representou expansão de 72% em relação a fevereiro de 2026, reflexo da sazonalidade do ciclo agrícola sul-mato-grossense.
O dado negativo na comparação interanual ocorre em um contexto de margens comprimidas nas últimas safras e de elevado custo de financiamento, fatores que têm induzido postura mais conservadora tanto por parte das instituições financeiras quanto dos tomadores de crédito.
Custeio concentra 59% dos recursos; investimento recua
A distribuição por finalidade revela assimetria relevante para a gestão financeira das propriedades rurais. O crédito de custeio, destinado ao financiamento de insumos, plantio e manejo, absorveu 59% do total liberado em março, correspondendo a R$ 665,7 milhões. A industrialização respondeu por 20% (R$ 228,4 milhões), o investimento por 14% (R$ 164,5 milhões) e a comercialização por 7% (R$ 75,5 milhões).
A predominância do custeio sobre o investimento sinaliza que os produtores têm priorizado a manutenção do ciclo produtivo em detrimento da expansão da capacidade instalada ou da modernização tecnológica. A contração relativa do crédito de investimento implica postergação de projetos de mecanização, irrigação e infraestrutura, com potencial impacto sobre a competitividade do setor no médio prazo.
No segmento do custeio, 63% dos recursos foram direcionados à agricultura e 37% à pecuária. No investimento, a divisão foi de 56% para agricultura e 44% para pecuária.
"A concentração do crédito no custeio mostra que o produtor está priorizando manter a produção em andamento. O fato do crédito para investimento seguir mais baixo indica que muitos produtores estão adiando projetos de expansão ou modernização. Mesmo com a leve queda dos juros, o custo financeiro ainda é considerado alto." Mateus Fernandes, Economista, Analista de Economia da Aprosoja/MS
79% das operações sem programa subsidiado
O dado mais crítico do boletim para o produtor rural diz respeito à origem dos recursos.
Aproximadamente 79% do crédito contratado em março de 2026 no estado foi operacionalizado fora de qualquer programa específico do Plano Safra, ou seja, com taxas livremente pactuadas e exposição direta ao custo de mercado. O PRONAMP respondeu por cerca de 18% e o PRONAF por apenas 2%.
Linhas estruturantes voltadas ao investimento de médio e longo prazo, PCA, PROIRRIGA, INOVAGRO e PROCAP-AGRO, não registraram operações no mês, o que reflete tanto a retração da demanda por financiamentos de expansão quanto eventual restrição de oferta nessas modalidades equalizadas.
A predominância de operações a taxas de mercado eleva diretamente o custo efetivo do crédito para o produtor, reduzindo a margem líquida das operações agrícolas e pecuárias em um cenário de preços de commodities já pressionados.
Selic e acumulado da safra
No plano macroeconômico, a redução da taxa Selic de 15% para 14,75% representa alívio marginal, ainda insuficiente para recompor de forma significativa a atratividade das linhas de crédito rural não subsidiadas. O custo de captação das instituições financeiras continua elevado, limitando o potencial de redução das taxas praticadas nas operações sem programa.
"Os números indicam um movimento de maior prudência por parte do produtor rural. A redução da taxa Selic de 15% para 14,75% é um sinal positivo, pois pode ajudar a diminuir, ainda que de forma gradual, o custo do financiamento, principalmente para quem depende dessas linhas." Mateus Fernandes, Economista, Analista de Economia da Aprosoja/MS.
No acumulado entre julho de 2025 e março de 2026, o crédito rural concedido no Mato Grosso do Sul somou R$ 11 bilhões, com concentração no custeio (R$ 7,2 bilhões), seguido por investimento (R$ 2,7 bilhões), industrialização (R$ 675,5 milhões) e comercialização (R$ 454 milhões). Do total acumulado, R$ 6,9 bilhões foram destinados à agricultura e R$ 4,1 bilhões à pecuária. Os bancos públicos responderam pela maior fatia do crédito concedido no período, seguidos por bancos privados (R$ 2,4 bilhões) e cooperativas de crédito (R$ 1,8 bilhão).
No plano nacional, o crédito rural concedido em março de 2026 totalizou R$ 21 bilhões, com expansão de 10% frente a março de 2025 e alta de 55% sobre fevereiro de 2026, indicando que a retração verificada no MS destoa da tendência agregada do país, reforço da hipótese de que fatores locais, como compressão de margens nas últimas safras sul-mato-grossenses, explicam ocomportamento estadual.