PF investiga esquema de fraude em RJ no agronegócio com indícios de compra de decisões

A investigação, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal com relatoria do ministro Cristiano Zanin, aponta o grupo empresarial Fource como principal a

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PF investiga esquema de fraude em RJ no agronegócio com indícios de compra de decisões

Um relatório parcial da Polícia Federal (PF) expôs um suposto esquema de fraudes em recuperações judiciais milionárias do agronegócio, com indícios graves de compra de decisões em tribunais superiores.

A investigação, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STJ) com relatoria do ministro Cristiano Zanin, aponta o grupo empresarial Fource como principal articulador de práticas que incluem manipulação territorial de processos, cooptação de administradores judiciais e inclusão de créditos fraudulentos para controlar votações.

O caso mais emblemático envolve o produtor de algodão José Pupin, que denunciou irregularidades em sua própria recuperação judicial de R$ 1,3 bilhão iniciada em 2017, processo que consolidou a tese de que produtores rurais pessoa física podem requerer recuperação judicial, posteriormente validada pelo Superior Tribunal de Justiça.

Segundo a denúncia protocolada em 30 de setembro de 2025 na 1ª Vara de Campo Verde (MT), a Fource teria adquirido créditos com deságios expressivos, tornando-se credora dominante enquanto simultaneamente administrava o próprio processo, um evidente conflito de interesses que permitiu manobras financeiras lesivas ao patrimônio do grupo Pupin.

A PF detalha que o esquema funcionava em fases: criação de filiais fictícias para garantir análise por juiz "favorável" (o chamado "juízo ótimo"), cooptação de administradores judiciais, e aquisição de dívidas por valores muito abaixo do mercado para influenciar decisões.

As investigações avançam para apurar o envolvimento de outros agentes, incluindo possível participação da filha de um ministro do STJ e o uso de falsos contatos no celular de lobista que intermediava negociações ilegais.

A Fource rebateu classificando o relatório como "frágil" e baseado em "conclusões subjetivas", mas a gravidade das acusações expõe vulnerabilidades sistêmicas que ameaçam a segurança jurídica de produtores rurais em dificuldades financeiras.

“A Fource repudia veementemente o conteúdo do relatório, cuja fragilidade salta aos olhos. O documento se baseia em meras relações e conclusões subjetivas, sem apresentar qualquer elemento concreto ou prova que sustente as alegações ali contidas”, declarou em nota.

Outro ponto investigado é o uso de falsos contatos no celular de um lobista suspeito de intermediar as negociações ilegais. Os contatos, segundo a PF, usavam nomes de servidores do tribunal, mas pertenciam a advogados. O Ministério Público Federal (MPF), ainda precisa se manifestar sobre a continuidade das investigações.

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