FPA cobra urgência na liberação de crédito rural e alerta para agravamento do endividamento no campo

Bancada ruralista pressiona governo pela execução imediata da MP 1.314/2025, que prevê R$ 12 bilhões em crédito para produtores afetados por crises climáticas

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FPA cobra urgência na liberação de crédito rural e alerta para agravamento do endividamento no campo

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobrou nesta terça-feira (21/10) maior agilidade do governo federal na execução da Medida Provisória nº 1.314/2025, que destina R$ 12 bilhões — com possibilidade de ampliação para R$ 20 bilhões — em linhas de crédito rural voltadas à amortização ou liquidação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos. A medida, anunciada durante a Expointer, ainda não resultou em repasses efetivos, o que tem gerado insatisfação entre parlamentares e entidades do setor.

Durante reunião em Brasília, o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que a morosidade na liberação dos recursos agrava o endividamento no campo. Segundo ele, a escassez de crédito e o alto custo do financiamento têm se tornado gargalos para a manutenção da atividade agropecuária.

“Os números apresentados hoje pelo Banco do Brasil confirmam o que já temos alertado: o Plano Safra é totalmente insuficiente diante da dimensão do nosso agronegócio”, disse Lupion.

Ainda declarou “Os R$ 12 bilhões previstos atualmente são completamente insuficientes. Precisamos que essa medida provisória saia da gaveta e seja votada com urgência. O tempo está se esgotando para o produtor rural”.

A FPA defende também a aprovação de uma nova Lei de Seguro Agrícola e a destinação de R$ 30 bilhões do Fundo Social e dos Fundos Constitucionais para apoiar produtores em dificuldade. O deputado Afonso Hamm (PP-RS) criticou a demora na execução da MP e ressaltou que nenhum produtor do Rio Grande do Sul recebeu os valores prometidos, apesar das portarias publicadas. O parlamentar alertou ainda para o agravamento da crise social no campo, com aumento de casos de suicídio entre agricultores endividados.

“Essa medida provisória atende a uma parte muito pequena das necessidades do agro brasileiro. E não falo do agro que perdeu renda, mas daquele que perdeu produção por causa do clima”, disse.

Em diagnóstico apresentado pela Serasa Experian, o índice de inadimplência rural passou de 6% para 7,9% desde 2022, e os pedidos de recuperação judicial aumentaram de 127 em 2023 para 566 em 2024. Segundo o head de Agronegócio da Serasa, Marcelo Pimenta, 80% dos produtores que recorreram à recuperação judicial já estavam com score de crédito abaixo de 500 pontos antes da insolvência.

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