FAEP alerta produtores paranaenses sobre risco de desabastecimento de fertilizantes

Brasil importa 85% dos fertilizantes consumidos; FAEP alerta para janela crítica de compra em abril, maio e junho e recomenda gestão escalonada do insumo

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FAEP alerta produtores paranaenses sobre risco de desabastecimento de fertilizantes

A agropecuária do Paraná enfrenta cenário de alerta com a retração das exportações de fertilizantes pela Rússia e pela China, os dois maiores fornecedores globais do insumo. A janela crítica de aquisição para a safra 2026/27 concentrada nos meses de abril, maio e junho, pode ser gravemente comprometida pelo duplo impacto de elevação de preços e redução da oferta disponível no mercado internacional.

O alerta foi emitido pelo Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), que divulgou conjunto de orientações voltadas ao planejamento estratégico de compra e uso do insumo. A entidade destaca que o grau de exposição do setor é estrutural: o Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes que consome, tendo adquirido 45,5 milhões de toneladas no mercado externo somente em 2025.

Dependência estrutural e vetores de risco

A vulnerabilidade do agronegócio brasileiro ao mercado externo de fertilizantes não é conjuntural. A proporção de 85% de dependência importada posiciona o setor como diretamente exposto a qualquer interrupção nas cadeias de suprimento globais. No caso atual, as restrições impostas por Rússia e China, que respondem por parcela significativa da oferta mundial de nitrogênio, potássio e fosfatados, combinam-se com o agravamento das tensões geopolíticas decorrentes da guerra no Oriente Médio, configurando um ambiente de incerteza de múltiplas camadas.

Esse contexto pode resultar tanto na compressão da oferta disponível quanto na pressão altista sobre os preços praticados no mercado doméstico, com repercussão direta sobre os custos variáveis de produção e sobre a relação de troca entre fertilizantes e commodities agrícolas.

Orientações do Sistema FAEP: gestão preventiva e compras escalonadas

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, sintetizou a postura recomendada ao produtor rural diante desse quadro:

"É importante adotar uma postura preventiva, alinhando planejamento e gestão financeira. O atual cenário global exige uma mudança no ambiente do agronegócio. O produtor rural precisa fortalecer a gestão estratégica dos custos para minimizar os riscos."

As diretrizes divulgadas pela entidade contemplam quatro eixos operacionais: evitar aquisições concentradas em momentos de preços elevados ou instáveis; priorizar compras escalonadas para reduzir a exposição a picos de cotação; monitorar continuamente a relação de troca entre fertilizantes e produtos agrícolas como parâmetro decisório; e garantir volume mínimo de estoque para não comprometer a continuidade produtiva da safra.

Diesel: segundo vetor de pressão sobre os custos operacionais

Paralelamente ao risco de desabastecimento de fertilizantes, o produtor paranaense enfrenta elevação expressiva no custo do combustível. O preço do diesel no Paraná registrou aumento superior a 20% no valor de revenda em comparação a fevereiro do corrente ano, pressionado, em parte, pelas incertezas geopolíticas associadas ao conflito no Oriente Médio.

A relevância do diesel para a estrutura de custos do agronegócio é transversal. Atualmente, 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira provém de combustíveis fósseis. O diesel responde por cerca de 40% do custo do frete, tornando o escoamento da produção diretamente sensível às flutuações do insumo energético.

No Paraná, culturas como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar utilizam máquinas movidas a diesel em praticamente todas as etapas, do preparo do solo à colheita. Cadeias de produção animal como avicultura, suinocultura e produção leiteira dependem de fluxos logísticos contínuos que exigem abastecimento regular, tornando o impacto ainda mais abrangente.

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