Segurança alimentar global em um mundo fragmentado: o que está realmente em jogo?

Diálogo internacional realizado em janeiro de 2026, reunindo formuladores de políticas, setor privado, academia e especialistas em desenvolvimento para discutir os impactos das mudanças recentes no comércio global sobre a segurança alimentar

Por Frederico Favacho

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Segurança alimentar global em um mundo fragmentado: o que está realmente em jogo?

O World Agriculture Forum (WAF) publicou agora em abril de 2026 um policy brief denominado “Global Food Security and Trade Shifts – Policy Brief (April 2025)”(disponível em https://worldagricultureforum.org/policy-briefs ), resultado de um diálogo internacional realizado em janeiro de 2026, reunindo formuladores de políticas, setor privado, academia e especialistas em desenvolvimento para discutir os impactos das mudanças recentes no comércio global sobre a segurança alimentar.

O documento parte da constatação de que os sistemas alimentares globais estão sendo profundamente impactados por três vetores principais: (i) Tensões geopolíticas (conflitos, protecionismo, fragmentação comercial); (ii) Novas regulações de sustentabilidade (especialmente ambientais e climáticas); e (iii) Mudanças nas políticas comerciais e cadeias de suprimento.

Os riscos são concretos:

• Aumento de barreiras não tarifárias

• Exclusão de produtores incapazes de cumprir novos padrões

• Elevação dos custos logísticos e produtivos

• Regionalização do comércio com menor previsibilidade

Mas há um ponto crítico que merece atenção: o risco de que sustentabilidade e segurança alimentar entrem em tensão — quando deveriam ser complementares.

Esses fatores têm gerado maior volatilidade de preços, riscos de desabastecimento e desafios para países dependentes de importações e, ao contrário do que muitos ainda presumem, o desafio atual não é apenas produzir mais alimentos. É garantir acesso, previsibilidade e resiliência em um ambiente cada vez mais instável.

Apesar do cenário desafiador, há caminhos claros:integração regional como mecanismo de resiliência; digitalização e inovação no agronegócio, sistemas de rastreabilidade e certificação mais robustos; investimentos em produtividade e adaptação climática; diversificação de cadeias de suprimento.

O ponto central é estratégico pode ser assim resumido: o futuro da segurança alimentar dependerá da capacidade de equilibrar três dimensões:

Sem coordenação internacional e políticas inclusivas, o risco é claro: ampliação das desigualdades e maior insegurança alimentar global.

Para o Brasil — e para o agronegócio em particular — isso não é apenas um debate global. É uma agenda imediata.

Tome como exemplo, o Acordo de Parceria Estratégica entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em janeiro de 2026, que entrará em vigência provisória em 1º de maio de 2026, altera de forma estrutural — e bastante concreta — as condições de acesso ao mercado europeu para empresas brasileiras. A mudança não é apenas tarifária; ela envolve um redesenho completo das “regras do jogo”, incluindo padrões regulatórios e cumprimento de regras de ESG. Como exemplo podemos citar a obrigação de rastreabilidade de produtos e descarbonização da cadeia de suprimento.

Adaptar-se às novas exigências regulatórias, investir em rastreabilidade e antecipar riscos contratuais e comerciais deixaram de ser diferenciais. São condições de acesso a mercado.

A pergunta não é mais se o sistema vai mudar. A pergunta é: quem estará preparado para competir — e permanecer — nesse novo ambiente?

 

 

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