Banco Central divulga IBC-Br de julho com recuo do agro
MP 1.376/2026 não resolve entraves na renegociação de dívidas rurais, aponta FPA, enquanto Seguro Rural segue com orçamento incerto para 2027.
Publicado em
O Banco Central divulgou, na última quarta-feira (16/09), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de julho, que mostrou recuo de 0,2% na economia brasileira. O indicador, considerado prévia do PIB, teve a queda puxada pela variação negativa do setor agropecuário (-1,2%).
Na comparação trimestral (maio a julho) com o período anterior (fevereiro a abril), houve queda de 0,3%. Nessa mesma janela, a agropecuária recuou 0,6%, o pior desempenho entre os setores da indústria e de serviços.
Renegociação de dívidas rurais enfrenta entraves
O recuo ocorre em meio à execução da Medida Provisória 1.376/2026, que trata da renegociação das dívidas rurais. Em carta aberta divulgada na última semana, a FPA apontou obstáculos enfrentados pelos produtores ao buscar as linhas de repactuação: exigência de laudos agronômicos para comprovação de perdas passadas, custos adicionais, revisão de garantias, cobrança de entrada de produtores sem capacidade financeira e restrições que podem comprometer o acesso ao crédito para a próxima safra.
Segundo o último levantamento do Banco Central, a carteira de crédito rural atingiu R$ 881,7 bilhões em julho. Desse total, 23,5% (R$ 207,4 bilhões) correspondem a operações problemáticas: em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas. A inadimplência isolada alcançou R$ 45,8 bilhões, o maior nível das últimas safras.
“Muitos produtores inadimplentes e muitos pedindo recuperação judicial.” Senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA
A senadora também citou a variação cambial como fator de pressão adicional: a safra foi plantada com o dólar a R$ 6, e a cotação hoje está em R$ 5,20, o que afeta a produção vinculada à moeda.
Seguro Rural segue com orçamento incerto para 2027
A proposta orçamentária de 2027 encaminhada pelo governo federal prevê R$ 1,2 bilhão para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Mais de 70% dos recursos não estão garantidos, dependendo de aprovação complementar ou arrecadação extra.
O histórico recente reforça a incerteza: em 2025, apenas R$ 581 milhões de R$ 1,06 bilhão previstos foram executados. Em 2026, bloqueios e cortes deixaram disponíveis R$ 473,8 milhões de uma previsão inicial de R$ 1,01 bilhão.
Segundo o senador Jaime Bagattoli (PL-RO), vice-presidente da FPA, menos de 3,5% da área plantada no Brasil tinha Seguro Rural em 2025, ante 90% nos Estados Unidos.
O Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o Seguro Rural e prevê a operacionalização do Fundo de Catástrofes, foi aprovado no Senado no último esforço concentrado e aguarda sanção presidencial.